Entrevista com Lucas Barbosa

February 8, 2016

De Manaus, ele cursa ciência política e adora animes. Em seu primeiro livro ele surpreende pela profundidade de sua obra. Para entendê-lo melhor, o convidamos  para uma entrevista. 

 

Josué – Para quebrar o gelo e conhecermos um pouquinho de sua história, nos diga: quem é Lucas Barbosa?

 

Lucas - Quem nunca altera a sua opinião é como a água parada e começa a criar répteis no espírito – William Blake. Eu sou o tipo de pessoa que sempre busca aprender e não vê problema em mudar de opinião. Geralmente sou introspectivo e gosto de passar meu tempo sozinho escrevendo, lendo, ouvindo música, vendo um bom filme ou anime. Tento não ser injusto e procuro analisar e interpretar bem as coisas.

 

Josué – Seis anos e já lia a Bíblia?

 

Lucas - Sim, eu costumava ler quase todos os dias, acho que antes dos dez anos já havia lido tudo, além de ter decorado vários trechos. Na época minha família era muito religiosa, mas sempre fui critico aos textos e até hoje gosto de estudar religiões e uso muito dessa temática no que escrevo, tanto do lado místico como antropológico.

 

Josué – Os animes e mangás foram sua entrada para o mundo das histórias. Naquele momento em que tentava criar seus primeiros esboços, já pensava em se tornar escritor?

 

Lucas - Não, naquela época eu queria ser mangaká, criar histórias em um estilo de mídia mais dinâmico aos moldes orientais, com lutas e superpoderes. Ser escritor foi algo que veio mais tarde, conforme minha visão de mundo foi evoluindo comecei a necessitar de um espaço ilimitado para poder me expressar, e os livros são o ambiente perfeito para isso.

 

Josué – Quais são suas principais referências?

 

Lucas - Minhas principais influências provêm de diversas mídias, nos livros, são os autores Stephen King, Arthur Rimbaud e José Saramago. Nos filmes, os cineastas David Lynch, Quentin Tarantino e Alejandro Jodorowsky. Animes e mangás aprecio muito os produzidos pelo grupo Clamp e pela mangaká Hiromu Arakawa, e na música as bandas Marilyn Manson, Placebo e The Gazette.

 

Josué – Muitas vezes a cobrança da sociedade em ter que cumprir um roteiro pré-determinado (pré-vestibular, vestibular, faculdade), acaba nos cegando para termos tempo de enxergar o que realmente queremos, como foi esse momento em sua vida?

Lucas - Quando se está em grupo é difícil desenvolver um pensamento diferente do comum, e quando desenvolve, geralmente não demonstra. Nessa época eu fazia o que os outros faziam, estudava e planejava um futuro formal, como escrever parecia algo distante, aproveitei esse tempo para buscar referências, lia diversos livros por ano, além de ver filmes e animes, a cada nova história que se encerrava, eu tinha mais desejo e inspiração para produzir as minhas.  

 

Josué – Seu primeiro livro, uma ficção steampunk, lhe rendeu uma medalha de honra ao mérito, todavia você ficou decepcionado. Qual era sua expectativa com o livro? Você se cobrava demais?

 

Lucas - Decepção não é a palavra certa, o que aconteceu na verdade, é que eu fiz uma aposta comigo mesmo, caso eu conseguisse uma boa colocação no concurso literário iria tentar esse caminho, senão, iria fazer algo mais formal. Eu acreditava no livro, como não deu certo, desacreditei um pouco em mim.

 

Josué – As decepções que a vida nos traz nos fazem optar por continuar ou desistir. Naquele momento, você realmente decidiu abandonar seu sonho?

 

Lucas - Muitas pessoas me motivaram a continuar fazendo histórias, mas eu achei que não conseguiria muito resultado com isso, então resolvi optar por outros caminhos, um deles foi o empreendedorismo, as famosas startups, foi um período interessante, onde eu podia usar minha habilidade de ter ideias para realizar meus projetos. No entanto, eu não me dei bem com esse mundo, ter as ideias era legal, fazer planejamentos e até desenvolver o produto era algo satisfatório, mas o modus operandi de tudo aquilo era chato: palestras motivacionais, como ser um bom vendedor, puxa-saquismo e como explorar as pessoas... não era algo para mim.

 

Josué – O que te fez voltar a sonhar?

 

Lucas - A realidade, depois que eu perdi o emprego e após começar uma jornada de busca ao conhecimento, aprendi muito sobre o mundo e como as coisas funcionam. Em 2015 era comum ver na TV e internet, a dicotomia que o povo se encontrava, ver como as pessoas são facilmente manipuladas e levadas pelo ódio irracional que apenas as prejudica. Em meio a isso, decide buscar conhecimento sobre os temas que eram discutidos, e posteriormente resolvi canalizar tudo que aprendi e interpretei em um livro.

 

 

Josué – Vamos falar um pouco sobre seu primeiro livro, Amaimon. De onde surgiu a inspiração para escrevê-lo?

 

Lucas - A principal inspiração veio do momento que estamos vivendo, o próprio Papa Francisco disse recentemente que “O Mundo vive uma terceira guerra mundial em partes”. Todo escritor de alguma forma usa das adversidades para gerar seus textos, e em meio a tudo isso me veio a ideia de criar uma distopia biopunk com diversas referências que tive ao longo da vida.

 

Josué – O que você procurou passar para seus leitores quando o escreveu?

 

Lucas - Eu procurei fazer algo atemporal e questionador, a própria trama se questiona em diversos momentos no livro, fiz com o objetivo que o leitor buscasse analisar melhor as situações que o cercam, esquecer paradigmas, e julgar apenas os fatos, sempre com o cuidado de não julgar apressadamente, mas também atento para não ficar inerte em meio a injustiças.   

 

Josué – Quais são seus planos para o futuro?

 

Há poucos dias comecei um novo livro, estou criando uma mitologia para um livro futuro, o primeiro ser desse panteão já apareceu em Amaimon, e pretendo apresentar mais dois seres nesse novo projeto.

 

Josué – O que você gostaria de dizer para seus novos leitores e autores iniciantes?

 

Lucas - Aos leitores, peço que tentem extrair o máximo possível de Amaimon, não se limitem ao enredo, façam dessa leitura um aprendizado e desenvolvam suas criticas sobre o texto, todos só tem a crescer com isso. Aos autores iniciantes, peço que usem das adversidades para se motivar e buscar inspiração, aproveitem bem as criticas e sempre estejam dispostos a melhorar o seu trabalho por mais que ele já pareça perfeito para vocês, e não esqueçam de ler bastante, um bom escritor é primeiro um bom leitor. E por fim, para esses dois grupos, não usem drogas pesadas.

 

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