O Culto a Personalidade - A Apoteose Moderna

February 14, 2016

 

 Apoteose

 

Apoteose significa elevar um ser humano ao status de deus, ou algo relacionado ao divino. Isso ocorria na antiguidade por diversos fatores, mas essencialmente estava relacionado ao poder político e religioso, este último que era muito relevante no passado. Em relação ao poder político temos no antigo Egito a apoteose dos faraós, que eram vistos como deuses e por isso deviam governar, também temos relatos sobre essa mesma prática na Mesopotâmia e Pérsia. Na Grécia, os heróis após seus atos de bravura ganhavam esse título divino e após sua morte poderiam adentrar os Campos Elísios. Já em Roma o aspecto era mais político, todo o imperador era como se fosse a representação de Deus. Passado os tempos e já durante a Idade Média os reis se autoproclamavam representes escolhidos por Deus, isso teve mais força durante o absolutismo, quando os monarcas deixaram de atribuir tanto poder ao Papa (este que também se proclama supremo representante de Deus) e passaram a atribuir para si mesmos aumentando assim seus poderes. Essa prática de centralizar a autoridade, tirando partes ou todo o poder do clero, foi necessário, pois, não só na Idade Média como em outras épocas e culturas, o poder religioso, acabava por se destacar entre os outros poderes, enfraquecendo assim o monarca, um exemplo disso foi Faraó Amenófis substituiu o politeísmo para o monoteísmo, onde se passou a apenas cultuar o Deus Aton, o que enfraqueceu os sacerdotes, que há várias dinastias haviam se tornado mais relevantes que o governo.

 

Apesar de parecer estranho que as pessoas dessas épocas e culturas acreditassem que alguém só por ter um cargo importante ou o sangue real, ou até mesmo por ter conseguido realizar alguma proeza, pudessem em vida e corpo físico, se tornar Deus, essa crença era aceita não somente pelas camadas mais pobres da região, mas também até pelos nobres e intelectuais da época. E até o período da II Guerra Mundial os imperadores japoneses mantiveram seu poder por alegar ligações divinas.

 

O Culto à Personalidade

 

 

O termo culto à personalidade foi utilizado pela primeira vez por Nikita Khrushchev no "Discurso Secreto" para denunciar Josef Stalin . Khrushchev citou uma carta de Karl Marx, que critica o "culto do indivíduo". Um culto da personalidade é semelhante a apoteose, exceto que ele é criado especificamente para os líderes políticos. No entanto ganhou outros ramos com o tempo.

 

A Alma do Negócio

 

Este culto consiste em diversas propagandas que irão ressaltar e até criar qualidades fazendo com que o povo crie uma admiração por seu líder, ignorando diversos fatos como repressão tanto física como psicológica, além de corrução e diversos crimes.

 

Este instrumento é muito usado nas ditaduras de todo o mundo e de todas as espécies sendo elas fascistas ou comunistas. Algo interessante é que essa culto a imagem foi o que deu origem à publicidade, pois na época de Hitler era necessário fazer com que ele parecesse uma resposta quase divina a todas as necessidades do povo alemão.

 

 

Até mesmo no Brasil, Getúlio Vargas utilizou dessa estratégia de publicidade para manipular a população, e até hoje muitas pessoas nutrem admiração pelo período ditatorial da era Vargas,  alguns indo mais longe admiram o período também fascista da ditadura militar.

 

Mas o culto à personalidade não se restringe apenas às ditaduras, encontramos ele até nas democracias, como foi o caso de John Kennedy, Ronald Reagan e Barack Obama.

 

A Adoração Pelo Próprio Reflexo

 

Um fator relevante que diferencia a apoteose do culto à imagem é que no primeiro caso o humano adorado ficava distinto dos outros humanos, era superior aos seus súditos, mas já no culto a personalidade o líder é apenas um semelhante que tem prestígio pela população. Como observou o Henrique V de Shakespeare para seus soldados, lembrando que na essência ele – o rei – era tão humano quanto todos os presentes, “[...] his ceremonies laid by, in his nakedness he appears but a man” (Henrique V, ato IV, cena I).

 

         

 

E como foi dito anteriormente a apoteose e até mesmo o culto à imagem parece ser algo difícil de entender, e saber o porquê dessa necessidade do ser humano buscar em seus semelhantes algo a se adorar. No entanto, acreditamos que essa prática ainda persistirá por muito tempo na humanidade, um reflexo disso é a adoração pelas celebridades, talvez elas sejam os heróis de nosso tempo, mas ao invés de terem alcançado tal status por meio de proezas, esse reconhecimento vem por meio de uma maciça propaganda e necessidade do homem de criar ídolos a sua semelhança. 

 

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