Diário de uma escritora

March 14, 2016

 

 

 

 

Quem somos nós, o que queremos e por que metemos a literatura no meio desse rolo todo?

 

Oi, e aí tudo bem?

 

Pensando muito em como começar a coluna para qual fui convidada, cheguei a conclusão de que não havia jeito indolor de tratar o assunto que você provavelmente viu no título, portanto vamos começar com algumas preliminares para aliviar o que parece ser assustador.

Calma, a tendência é ficar ainda pior.

 

Vamos as preliminares?

 

Meu nome é Graci Rocha e sou a novata da casa Pendragon, autora do livro A Maldição de Arthur.

 

 Mas e você já sabe quem é?

 

Não. Não quero saber seu nome apenas, mas sim saber se você já descobriu quem realmente é, sua essência, seu ser... Aquilo que o ou a impele a agir como faz normalmente, a forma como vê o mundo, como pensa sobre as coisas, como reage ao que acontece... essas coisas...

 

Se você ainda não descobriu não se aterrorize, pois a maioria das pessoas passa a vida inteira sem jamais sequer perceber metade de suas potencialidades, defeitos, e todo o resto que vem amarrado àquela palavra “caráter”.

 

Talvez, ou melhor, provavelmente você deve estar se perguntando o que esta pessoa que acabou de chegar tem com isso. Você tem razão, eu não tenho absolutamente nada com isso. Mas vai dizer que não é curioso...???

 

A verdade é que isso está ligado diretamente a todo o restante do título.

 

Explico.

 

Volta e meia sou acometida por crises existenciais que me levam a questionar não apenas a minha humilde existência, mas todo o resto que parece tão enraizado em mim e a isso me refiro a leitura e a escrita.

 

Há momentos em que me sinto como uma vampira, mas ao invés de litros de sangue, minha forma de sobrevivência são os livros, lidos ou escritos por mim. Como se o ar me fugisse dos pulmões e simplesmente não fosse capaz de viver sem isso. Minha criptonita, meu sangue, minha cruz e alho... enfim, minha fonte de energia para viver e ao mesmo tempo minha estaca no coração...

 

Mas como é que deixei que as coisas chegassem a esse ponto? Como posso deixar que algo me consuma de tal maneira?

 

Simplesmente não há explicação, pelo menos não pra mim. Dia após dia analiso essa questão e ao invés de achar uma corda com a qual possa me firmar para sair desse grande poço sem fundo, apenas mergulho mais na escuridão dele. Mas não se assuste, algumas pessoas parecem ter nascido para serem vampiras.

 

Ok! Talvez eu esteja sendo um pouco dramática. Acho que isso tem um pouco a ver com o tal do meu caráter que para variar tem tudo a ver com minha bagagem de vida, de conhecimento e de livros lidos... Você vê o rolo que é?

 

Somos tão complexos e tão simples, tão profundos e intensos e tão rasos... é duro, mas é verdade. Somos inexplicáveis.

 

Por isso eu pergunto: Por que lemos?

 

Não estou me referindo a leitura básica para se situar na sociedade (placa de ônibus, livro de receitas, contrato de aluguel e etc). Estou falando de por que nos deixamos arrebatar pela literatura, por personagens como Scarlet que são mimados e arrogantes e que pensam que o mundo gira em torno deles, ou por vilões como Darth Vader ou Damon salvatori que muitas vezes estão tão quebrados quanto suas vítimas e mesmo assim ainda conseguem uma forma de seguir em frente, de amar com tamanha intensidade que suas ações se tornam vis e cruéis, distorcidas e imorais. E droga, é difícil não amá-los, mesmo desejando algumas vezes que morram...

 

Por quê?

 

Será que é por que não nos conhecemos o bastante e estamos tentando nos situar no mundo?

Será que nosso mundo é tão sem magia e sem contos de fadas que precisamos recorrer a outros mundos para sentir-nos vivos?

 

Será que um mundo imaginário não existe simplesmente por que faz parte de algo incapaz de ser tocado?

 

São questões que parecem facilmente respondidas, mas que assim como tem respostas rápidas tem contra-argumentos rápidos. Eu mesma poderia passar algum tempo meditando sobre cada uma delas sem nunca me convencer de que lado tomar.

 

E aí, será que precisamos de emoções, aventuras e mundos imaginários onde possamos nos libertar, ser aquilo que realmente queríamos?

 

Tudo bem vai, você pode estar dizendo que a literatura serve para enriquecer seu vocabulário, e estará certo, ela fez isso comigo no decorrer dos meus anos como leitora e são muitos, pois me alfabetizei bem cedo.

 

Também aprendi a pensar com crítica e ver que tudo pode ser observado por pontos de vista diferentes e ter mais do que uma forma de se resolver as coisas... A literatura tem muitos dons, ninguém jamais poderá negar isso.

 

Mas será que é só isso?

 

Então por que ler um livro se torna algo tão significativo para algumas pessoas? Tão fundamental quanto a própria existência?

 

Eu sei, são mais perguntas do que respostas. Mas eu não disse que estava aqui para resolver nem as suas nem as minhas crises existênciais. Talvez pensar seja uma das coisas que ler melhor me ensinou. Talvez esteja aí a beleza e mágica dos livros, de todos os livros.

Penso, logo existo... não é?

 

E o que você acha sobre isso?

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