Clássicos da literatura nacional

March 15, 2016

 

 

Olá, leitores.

 

Lembro como se fosse ontem o esforço da professora de literatura para que nós, alunos atentados e dispersos do Ensino Médio, dedicássemos o mínimo esforço entre as páginas de livros clássicos da literatura nacional. Chamadas de atenção, redução de pontos, não faltavam recursos da tal professora para que lêssemos obras que achávamos, no mínimo, entediantes. Entre as perguntas que mais povoavam as cabeças dos alunos um tanto avessos às aulas, a que mais se repetia era por que aprender sobre obras de conteúdo e linguagem tão difíceis.

 

Que lembre bem, esse tipo de pergunta se repetiu um número de vezes que preencheria com facilidade um boletim por três anos. A professora se esforçava, porém a resposta àquela questão não nos satisfazia. Talvez por resistência nossa, ou talvez graças à euforia por termos passado pelo Ensino Médio, a maior parte de nós deixou questões como aquela a cargo do tempo.

 

Eu gostava de Português, de Literatura também. Ainda assim, foi necessário que anos passassem para que pudesse entender a importância da leitura de livros clássicos, principalmente os nacionais.

Finalmente entendi que a professora tinha razão. Além do enriquecimento da prática da ler, trata-se de uma questão cultural.

 

Como as obras são vastas, indicar contos do realismo de Machado de Assis ou romances do naturalismo de Aluísio de Azevedo pode ser um bom início para desfrutar as riquezas que obras clássicas têm a nos oferecer. Torcer o nariz e franzir a testa diante de textos de outras épocas não é motivo de vergonha, é um estranhamento comum. Acredito que quem não está habituado com este tipo de leitura deve textos mais simples, sobre temas dos quais gostam, para depois ir avançando. Assim se cria um hábito que em breve facilita o ato de ler textos mais difíceis.

 

Quem lê entende melhor o mundo em que vive.

 

Fato.

 

Não se trata apenas do enriquecimento de vocabulário através de palavras rebuscadas e estruturas diferentes das contemporâneas, a infinidade de títulos merecidamente reconhecidos contém verdadeiras aulas de História do Brasil transformadas em cenários que não se veem mais e em costumes dentro de todo um contexto.

Costume, comportamento, cultura.

 

Em tempos em que o cenário político brasileiro clama por mudanças, podemos olhar para trás na história e refletir sobre nossas escolhas.

 

Pense em ler um clássico. Não precisa ser o mais logo ou mais famoso. Dê essa chance a si mesmo de conhecer como autores renomados expressavam no papel seus pontos de vista acerca do mundo que os rodeava.

É, a professora de literatura tinha razão.

 

E não foi à toa que um dos fundadores da Academia Brasileira de Letras foi o mulato Machado de Assis.

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