A observação e sua importância na escrita...

March 23, 2016

 

 

Olá leitores da Pen Dragon, tudo bem? Aqui é o Allison RdS mais uma vez...

 

Lembram-se do meu ultimo post? Falei sobre as minhas influências literárias, grandes autores e grandes histórias, mas qual é a verdadeira inspiração para a criatividade? Alguns acham que temos que ficar sozinhos e isolados, só assim a verdadeira inspiração aparece (quem nunca assistiu algum filme americano que pinta os escritores dessa maneira? Eles mudam para o campo ou alguma cabana no meio da neve...) Rsrsrs... Outros colocam a observação como a chave da criatividade... E é exatamente isso o que eu acho... A observação é essencial.

 

Como iremos escrever histórias sobre relacionamentos e como descreveremos os sentimentos das pessoas se não as observarmos? Para mim não faz sentido algum ficar isolado... Ou pra você faz?

 

Em relação a isso eu acredito que tenho bastante sorte, antes de escrever (o que é minha verdadeira paixão) eu sou um enfermeiro e isso me proporciona bastante facilidade em observar... Sabem o motivo? Fui treinado para observar as pessoas e as situações que elas vivem... Por isso as pessoas são sempre a minha maior fonte de inspiração...

 

E uma coisa sempre me intrigou nestes anos de profissão... A relação das pessoas com doenças e principalmente as suas relações com a morte. Eu gosto de escrever sobre a morte... (Quem leu meu conto Primum Solstitium na coletânea Contos Macabros, Mortes Demoníacas) sabe disso... E em alguns anos de experiência e de observações me trouxeram uma visão muito particular destas relações, principalmente da relação das pessoas com a morte...

 

Em algumas vezes a morte vem como uma serpente traiçoeira, ceifando o “tudo o que ele tinha pela frente” e o “era tão jovem”... Mas em muitas vezes (e não são poucas estas vezes), a morte é até desejada...

 

 

E agora você deve estar se perguntando... A morte é desejada? O Allison deve estar ficando louco... Mas eu digo a vocês, ela é desejada quando liberta as pessoas de um grande sofrimento e de toda a indignidade humana... Quem já teve um familiar em uma situação crítica e sem perspectivas de cura em algum hospital sabe do que estou falando... E em hospitais meus amigos, existem histórias assustadoras e isso também é bastante inspirador...

 

Vou contar uma história que aconteceu comigo há alguns anos...

 

Eu estava de plantão no CTI em um sábado de 2013, a noite seguia normalmente e havia cerca de quinze pacientes nos leitos, quase todos respirando através de ventiladores e sob o efeito de sedações e drogas vasoativas (um tipo de medicações que servem para manter a pressão arterial em níveis normais).

Antes das duas da manhã, mesmo sob o efeito de todas as drogas e manobras médicas, uma garota começou a “instabilizar”, sua pressão despencou e seus batimentos cardíacos aceleravam-se, a garota estava entrando em choque... Sim, este é o termo mesmo: Choque...

O clima começou a mudar no CTI, e as previsões de todos que estavam no plantão aconteceu... A garota entrou em parada cardiorrespiratória... O atendimento começou de forma precisa e correta, foi impecável, todos se revezavam nas massagens cardíacas e na aplicação das drogas necessárias ao atendimento, mas... Infelizmente a garota não respondia...

 

Quando saí do ciclo de massagens para revezar com outro colega, uma das enfermeiras do hospital entrou no CTI, pálida e quase sem fôlego, sentou-se em uma das cadeiras do setor e quando olhou pra paciente quase desmaiou...

 

“Meu Deus... Eu não acredito.”

“O que foi?” Quase todos perguntaram e ficamos sem resposta, ela não se mexia, parecia paralisada...

A garota infelizmente não resistiu e morreu meia hora depois...

 

O clima do plantão muda drasticamente após a perda de um paciente, mesmo todos sabendo que fizeram o máximo, o clima fica ruim, é um sentimento de derrota, nos esquecemos da enfermeira que permanecia sentada em frente ao monitor do computador, olhando incredulamente em nossa direção...

 

Após certificarem o óbito, fizemos tudo o que tinha que ser feito... Chamamos os familiares da garota para comunicar-lhes e providenciamos todos os papéis, só então me sentei ao lado da enfermeira ainda pálida...

 

- O que aconteceu com você? Não está bem, quer que eu chame um médico pra te avaliar?

- Não preciso de médico.

- O que aconteceu com então?

- Uma moça me encontrou no corredor e pediu chorando que eu a ajudasse, estava com um vestido branco e tinha sangue do lado esquerdo do rosto, também me parecia estar com braço esquerdo fraturado... Tentei acalma-la, mas ela saiu correndo e entrou no depósito da farmácia... Fui correndo atrás dela... Mas não tinha ninguém lá dentro, me assustei e vim pra cá...

- Você ligou na recepção e viu se algum paciente da emergência sumiu?

- Não preciso falar com a emergência... Vocês acabaram de encaminhar o corpo dela pro necrotério...

 

Até hoje nunca esqueci esse dia, a menina tinha sofrido um trauma do lado esquerdo da cabeça e seu curativo sangrava bastante, o seu braço esquerdo estava fraturado em três lugares...

 

Sim, era ela no corredor... Como uma enfermeira de outro setor saberia?  Como explicar essa situação?

Existem muitas outras histórias como esta. Fantasmas de pacientes, médicos e enfermeiros que ainda frequentam os hospitais onde passaram boa parte de seu tempo, será que sabem que estão mortos? Será que estão realmente ali? Afinal, quem sabe?

 

Se quiserem vou contando pra vocês nas próximas postagens algumas histórias que vivenciei ou que me foram contadas ao longo dos anos... Deixem sugestões nos comentários e não deixem de seguir o blog dos Dragões Guerreiros... Um abraço...

 

AllisonRdS

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