Vilões também vendem livros (Parte 1)

April 14, 2016

 

 

Diário de uma escritora

 

Parte 1

 

Oi gente, e aí?

 

Hoje, antes de começar nosso diário, quero contar uma histórinha antiga que aconteceu comigo. Prometo que vai ser rápido e você vai compreender perfeitamente no que ela se encaixa aqui na coluna.

 

Desde pequena, mesmo antes de saber ler, eu sempre li histórias quando lia as imagens dos livrinhos (lia e não via, porque a criança é capaz de ler uma história através de uma imagem), depois passei a criar minhas próprias histórias no espellho do banheiro da casa da minha avó. E assim, um belo dia eu estava criando enormes histórias, escrevendo-as nos cadernos de aula e tomando castigos chatos por estragar meu material escolar. Minha mãe queria me levar para o médico (psicólogo) porque eu dava muita ênfase aos vilões. Nem eu mesma entendia o porque disso.  

 

Sempre tive aquele “Clic” quando lia um livro, eu devorava os personagens e sempre sentia que os vilões não podiam simplesmente ser apenas os malvadões da história, o Lex Lutor que obrigada o superman a ser um herói abdicado. Para mim, os heróis (aqueles 100% bonzinhos e abnegados) eram chatos e cansativos porque eu não era assim, eu ajudo o próximo, mas tenho um limite e acho que não conseguiria, por exemplo, deixar um ente querido morrer para salvar o planeta, simplesmente o planeta ia dançar... Eu e meu ente morreríamos lutando é claro, mas ainda assim o planeta não tinha a menor chance de eu abrir mão do meu ente querido por ele. Você pode estar me considerando uma vilã, mas pense cá comigo: faço caridade sempre que posso, não julgo as pessoas, ajudo todos que precisam de mim, sou honesta, dou duro no trabalho, faço o bem de maneira geral. Como posso ser chamada de vilã? Estão conseguindo captar o dilema?

 

Enfim, deixa eu explicar melhor.

 

Sempre vi no vilão um potencial incrível, uma pessoa ou criatura que era má sim, que queria dominar o mundo, mas que ao mesmo tempo podia fazer algum bem dentro de sua visão louca sobre certo e errado. Sempre me apaixonei por vilões, Steban Trueba (A Casa dos Espíritos de Isabel Allende) ainda mora no meu coração, mesmo ele tendo arrancado alguns dentes da mocinha (que não consigo lembrar o nome agora) e mesmo ele tendo “deitado na relva” muitas mocinhas inocentes.

 

Às vezes nem percebemos, mas nos apaixonamos pelos vilões, pela forma como eles desafiam os herois, os obrigam a agir e fazer a coisa certa pelo mundo e pelos indefesos.

 

Quando comecei a estudar as técnicas literárias descobri muito sobre isso. Acho que foi Albert Zuckerman quem disse que os personagens que realmente conquistam os leitores são chamados de memoráveis e que todo livro de sucesso precisa de pelo menos um personagem memorável. A época imaginei que os heróis deveriam ser esses tais personagens memoráveis, mas conforme fui lendo muitos livros bons e mesmo vendo filmes, descobri que o vilão está mais para memorável do que o herói em si. Digo isso pois, os vilões são aqueles caras que não tem medo de fazer o necessário, de encarar o medo de falhar, de lutar por seus objetivos a qualquer custo, mesmo que seja o de dominar o mundo.

 

No final das contas é o vilão (e pode não ser uma pessoa) que movimenta a trama, ele que nos obrigada a ver o heroi se ralar todo, rs.

 

E aí, gostou do diário de hoje?

 

No nosso próximo encontro aqui na coluna, vamos discutir os motivos de o vilão vender livros quase tanto quanto o herói, ou mesmo mais. Vou falar alguns pontos que vai ajudar você autor a criar personagens memoráveis e você leitor a percebê-los melhor em suas leituras.

 

Vejo vocês em breve.

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