Egoísmo Cerebral

April 17, 2016

 

 

A claridade do sol incidindo em seu rosto não o incomoda, a luz é revigorante e parece fazer parte do seu corpo e de todo aquele cenário bucólico. Árvores, flores e uma variedade de animais pequenos e médios que brincavam próximos a um riacho que dividia aquele lugar tão amistoso de outra paisagem misteriosa e densa.

 

Tudo ali parecia emanar um brilho próprio que se misturava com o do sol e juntos criavam uma energia capaz de transcender a própria matéria, permitindo assim que aquele homem flutuasse pelo jardim luminoso.

 

Sombras escondidas pelas árvores do outro lado do riacho correm sorrateiramente, o homem assustado tenta ignorá-las flutuando sobre a grama luminosa. Tentando esquecer as sombras, volta a sua visão aos animais que harmoniosamente correm ao seu redor.

 

Um grande cervo parado chama sua atenção, o animal parecia assustado, não para de encarar as sombras, em suas pupilas é possível ver as silhuetas que andam entre as árvores, o homem mesmo temoroso resolve olhar, vira-se com cuidado e não vê o outro lado do rio e nem o mesmo, então olha para frente e volta a enxergar as árvores frondosas do outro lado, onde as sombras mexiam-se cada vez mais rápido.

 

Ao chegar perto do riacho o homem olha seu reflexo na água, assusta-se ao notar que se tornou o cervo que antes admirava. Após levantar a cabeça se depara com as árvores bem a sua frente, agora ele estava do outro lado do rio, o jardim luminoso parecia cada vez mais distante.  

 

Sentindo as sombras o rodearem, ele corre para a beira do rio, encara seu reflexo e percebe que voltou à forma humana, pensa em mergulhar e fugir das sombras, mas aquele pequeno riacho se transforma em um mar, não é possível mais ver o jardim e nem o fundo daquelas águas, apenas outras sombras gigantes nadando naquele azul intimidador.

 

O homem se afasta rapidamente do oceano, bate suas costas em uma árvore, as sombras o cercam, todas têm forma humana, as duas mais à esquerda são de crianças, a do meio lembra uma mulher e à direta desta assemelha-se a de um idoso.

 

Cada vez mais outras sombras humanoides aparecem para ele que se desespera ao ver a luz do sol ser bloqueada aos poucos.

 

Em meio à total escuridão, perdido no vácuo do espaço, várias vozes falam coisas que para aquele homem não fazem nenhum sentido.

 

― Pareceu que o procedimento falhou...

― O quê? Como assim?!

― Veja o leitor ao lado dele, sua consciência está voltando...

― Mas que merda! É a terceira falha só essa semana... Vamos! Acorde-o.

― Você que sabe...

 

Acima do homem imerso em trevas, um pequeno ponto de luz aparece, as vozes cessam, é possível ouvir um bipe tocando em intervalos regulares. O som ecoa na cabeça daquele jovem senhor que aos poucos começa a notar o ponto luminoso aumentando e ganhando uma forma que, mesmo ainda embaçada, é possível perceber ser de um rosto.

 

Ele se esforça para enxergar com clareza a imagem a sua frente, arregala os olhos e pisca repetidas vezes para tentar focar, mesmo assim é inútil. Tenta coçar os olhos, mas seus braços estão presos por alguma coisa, sua percepção espacial se altera, percebe que está deitado e preso, mexe-se compulsivamente tentando se soltar, mas a escuridão novamente o toma, e uma descarga elétrica passa por seu corpo, abruptamente seus olhos são abertos.

 

 Ainda sem conseguir falar, observa apavorado o ambiente que o cerca, verifica que está um consultório médico, tenta se lembrar do motivo de estar ali, mas nenhum pensamento coerente lhe vem à mente, olha para cima e a luz da sala faz seus olhos lacrimejarem. Diferente da luz do jardim que o confortava, essa o deixa incomodado. Dois médicos andam de um lado para o outro, e um se aproxima.

 

― Parece que nosso amigo acordou.

― Se não tivesse acordado com aquela dose de adrenalina não acordaria com nada. ― Ri.

 

O homem tenta falar, porém sua boca ainda está dormente.

 

― Não se esforce para falar, o efeito dos medicamentos passará em alguns instantes.

― Sim, não se preocupe, sua mente deve estar confusa, mas logo as coisas farão sentido, ainda não lembra, mas você é um cliente da Eternal Dream, que é o local onde você está, somos os médicos que irão fazer seu procedimento... Na verdade refazer...

 

O médico olha os computadores ao redor da maca do paciente que já demonstra um semblante mais calmo, porém ainda confuso.

 

O outro médico começa a imprimir um relatório e com um olhar desanimado diz para seu parceiro:

 

― Pelo visto ocorreu o mesmo erro da última vez... ― O médico olha para o paciente e pergunta. ― Por acaso o senhor começou a ver sombras durante sua indução?

 

O paciente assente. O outro médico puxa uma cadeira e senta. Seu auxiliar lhe entrega os relatórios e começa a explicar o ocorrido ao paciente.

 

― Bom senhor Harold, essas sombras costumam aparecer como uma defesa do corpo tentando impedir o coma auto induzido e acordar o paciente, ainda não sabemos explicar como isso acontece, mas é possível ver que nesse momento o lado direito do cérebro fica em intensa atividade, todo o cenário que criamos em nossos computadores e tentamos assimilar através de pequenos impulsos elétricos são invadidos por essas manchas que a meu ver tentam alertar sobre a falsa realidade que tentamos lhe inserir...

 

Harold apesar de não entender muito bem a explicação do médico, começa a lembrar do que estava fazendo ali, um sentimento de culpa o toma.

 

O médico sentado na cadeira percebe o descontentamento do paciente e resolve dar sua opinião.

 

― Bom... muitos dizem que essas manchas são uma espécie de culpa ou medo que o paciente está sentindo, mas a verdade é que nesse setor usamos os equipamentos mais velhos da clínica. ― Sorri. ― Geralmente mandam para cá as pessoas que pagam pelos nossos planos mais básicos... Para ser sincero nunca ouvi um caso de erro no processo no setor A. ― Os médicos se encaram e o auxiliar assente. ― Enfim, como aqui deu defeito o jeito é te mandar para lá.

 

O auxiliar começar a desatar Harold, que sente todas as suas funções corporais voltarem.  

 

― Pegue esse papel e entregue na recepção, meu assistente lhe acompanhará. Não se preocupe mais com nada, a partir de agora você receberá nosso melhor e mais caro procedimento.

 

O médico pisca para Harold que após sair da maca, com a ajuda do médico auxiliar, senta-se em uma cadeira de rodas.

 

Pelos corredores brancos daquela grande clínica o auxiliar resolve puxar assunto com o paciente.

 

― E aí? O que você viu lá? ― Harold ainda estava tentando assimilar a realidade com o sonho, vários pensamentos e sentimentos o deixam confuso, pelo silêncio do paciente o auxiliar resolve apenas prosseguir seu caminho.

― Eu estava em um jardim...

― É a nossa configuração básica! ― O auxiliar empolga-se, adorava explicar o procedimento para as pessoas. ― Começamos com aquele cenário e de acordo com a aceitação do paciente começamos a criar cada vez mais cenários, mas nosso ponto alto é quando conseguimos modificar as noções cerebrais de tempo, você pode morrer depois de um segundo ou cem anos, tudo depois que finalizamos nosso processo se torna eterno... Mas de uma maneira boa é claro.

― Eu sei... Eu vi os comerciais de sua empresa na TV...

― Ah sim, entendo.

 

Os dois entram em um elevador, o auxiliar médico aciona o penúltimo andar do prédio, por longos cinco minutos nenhuma palavra é dita, Harold fica com o olhar perdido. O médico que aparentava não ter mais de vinte e cinco anos lembra-se da chegada do paciente ao hospital, parecia nervoso e ansioso, trêmulo assinou o formulário na recepção, quando chamado a ver o vídeo explicativo recusou-se, mostrando sua pressa em receber o procedimento. Geralmente as pessoas passavam cerca de um mês para fazer o processo, mas no caso de Harold algum motivo particular tornava sua psicocirurgia uma urgência.

 

Chegando ao último andar, o médico acompanha o paciente até a recepção, e volta ao elevador ainda pensativo sobre os motivos de Harold.

 

― Bom dia senhor, em que posso ajudá-lo?

 

Harold entrega o papel para a recepcionista.

 

― Meu procedimento deu errado no laboratório E-1...

― Ah sim, aquelas máquinas já estão ficando obsoletas, mas não se preocupe, o lema da nossa empresa é: O paraíso foi feito para todos. E a Eternal Dream te leva até ele.

 

Harold assente e tenta esboçar um sorriso enquanto lê essa frase atrás da secretária. Esse lema ficava espalhado por todas as salas daquele prédio, também havia um aspecto sereno naquele hospital, pinturas de paisagens que transmitiam felicidade podiam ser vistas de todos os lados.

 

Harold encosta-se à parede junto a uma fileira de cadeiras ocupada por vários idosos que estavam mexendo em seus computadores portáteis, era perceptível que naquele andar apenas os mais ricos recebiam o tratamento privilegiado. Ao seu lado um senhor se interessa pelo rapaz e resolve puxar assunto.

 

― O que alguém tão jovem faz aqui?

 

Harold o olha da cabeça aos pés, o senhor tem uma aparência frágil e doente. Diferente dos outros velhos, este está apenas segurando um folheto da Eternal Dream, lendo sobre todas as possibilidades de aventura dentro dos sonhos induzidos em realidade virtual.

 

― Vim fazer o que todos fazem aqui, não é mesmo? ― Ri constrangido.

― Entendo... Sabe? ― O velho joga o folheto na mesa e se aproxima de Harold. ― Quando eu tinha sua idade dedicava todo o meu tempo para os negócios da minha família, trabalhava exaustivamente e fazia cada vez mais nosso império industrial crescer, meus filhos e esposa sempre me acusaram de ser alguém ausente e egoísta, mas tudo que fiz foi por eles... Agora estou velho, e não vejo salvação para a minha alma, meus dias estão em seu fim, por isso decidi optar por esse caminho, sabe? É uma esperança de recomeçar, esquecer tudo que precisei fazer e ter paz, mesmo assim meus familiares não entendem e me chamam de egoísta. Vejo que você está perturbado, com certeza há muita pressão para que você não faça esse procedimento, mas digo meu rapaz, no final sempre estamos sós, e ninguém se importa conosco, pelo menos nesse momento se dê a liberdade de pensar em si próprio.

― Sim, desde que perdi meu emprego há uns dois anos mudei minha perspectiva de vida, percebi que as pessoas só te valorizam quando você pode dar algo em troca... Não acredito em doutrinas coletivistas, sempre estive só e nunca ninguém me ajudou, tudo que consegui foi pelo meu esforço, e agora apenas a minha mente me basta... Você estava certo, a culpa queria me tomar, mas depois de suas palavras percebi que não há maior prioridade do que nós mesmos! E que se foda a sociedade. ― Riem.

― Exato! Sociedade é uma mentira que inventam para tirar seu dinheiro, como uma ilustre mulher uma vez falou “Não existe essa coisa de sociedade. Existem indivíduos, homens e mulheres, e existem as famílias”, mas cá pra nós, família também não passa de sanguessugas. ― Riem.

 

Naquele mesmo instante fora do prédio.

 

O médico auxiliar aproveita seu horário de almoço para fumar um cigarro sentado em um banco em frente ao hospital. Percebe um movimento estranho perto da portaria e vai ver do que se trata.

 

― O que está acontecendo aqui?

 

Uma família composta por uma mulher, um idoso e duas meninas tentavam entrar no hospital.

 

― Senhor, estou tentando explicar que apenas pacientes e funcionários têm acesso ao hospital.

― Por favor, nos deixem ver meu marido!

― A senhora por acaso é esposa do de Harold Smith?

― Sim! Sim, você viu meu marido? ―Todos olham para o médico, ansiosos.

― Eu o vi sim, se vocês forem rápidos ainda poderão se despedir.

 

Determinada, a esposa junto a sua família vira-se, o guarda fica na frente, mas o médico faz sinal para que os deixe passar e os acompanha até o elevador.

 

― Sei que o momento é delicado... mas qual é a situação aqui? Ele não avisou que faria o procedimento?

― Não! Harold sempre foi um egoísta inescrupuloso! ― O senhor responde com raiva. ― Foi capaz de roubar as economias da família para se internar nessa aberração mental.

― John, o dinheiro era dele, não fale do Harold assim na frente das crianças...

 

O médico olha para as duas meninas que não pareciam ter mais de seis anos de idade, estavam assustadas.

 

― Pobres crianças, na verdade, pobre família, esse prédio está lotado de covardes egoístas e de aproveitadores... iguais a mim. ― pensa o médico.

― De qualquer forma, aquele imbecil não merece nosso respeito, um ser tão egoísta que matou a própria mãe ao nascer! ― O velho senhor começa a chorar ao lembrar-se da esposa que morreu ao dar à luz.

 

Dentro da sala de espera.

 

A enfermeira informa que Harold deve ir à sala de psicocirurgia.

 

― Senhor Harold é a sua vez. ― Vira a cadeira de rodas e se despede do novo amigo.

― Não falei meu nome, me chamo Harold Smith. ―Segura a mão do velho que o responde.

― Me chamo Ludwig Thatcher. ― Sorri gentilmente para Harold, que sem palavras prossegue lentamente para a sala onde um médico o esperava na porta.

 

Ludwig era o acionista majoritário e presidente da empresa onde Harold trabalhava. O mesmo senhor que aprovou a demissão de mais de 100 mil funcionários com o objetivo de cortar gastos desnecessários, e que semanas depois foi na TV falando sobre os recordes de lucro da empresa.

A porta do elevador abre.

 

― Pai!

 

Harold reconhece aquela voz, as crianças tentam correr em direção ao pai, mas a mãe as segura, a secretária percebendo o tumulto já ativa a segurança.

 

― Seja pelo menos homem para se despedir de suas filhas! ― O pai de Harold grita, fazendo todos ali se assustarem.

 

Harold olha para trás e vê sua esposa e filhas chorando, seu pai enfurecido não consegue mais esconder as lágrimas. Harold olha para Ludwig que sadicamente sorri e faz sinal com a mão para que ele prossiga. Depois de pensar um pouco, Harold olha para o médico em frente à porta e assente, o médico sai de seu caminho e ele entra na sala.

 

Sua esposa cai no chão de joelhos e as crianças a abraçam. Antes que John pudesse invadir a sala, guardas puxam todos ali, o médico tenta lutar contra eles e depois de alguns segundos os convence de que ele mesmo iria retirar a família do local.

 

Na recepção do prédio a família conta sua história ao médico auxiliar, que indignado propõe uma vingança.

 

― Eu posso invadir o laboratório a noite e mudar os cenários virtuais para que Harold viva um verdadeiro inferno mental. E quanto ao dinheiro, não se preocupem, irei repor o que ele tirou das suas economias.

― Não! Não queremos vingança, e quanto ao dinheiro, desde que ele perdeu o emprego venho sustentando a casa com meu trabalho, não necessitamos de ajuda, mas mesmo assim muito obrigada, falar com você e entender o que vai acontecer com ele nos ajudou compreender melhor o lado dele... Não podemos obrigar ninguém a nada, nem mesmo a viver a realidade.

 

Ela se levanta. E todos acompanham.

 

― Muito obrigado doutor, nós não iremos mais atrapalhar seu trabalho. ― Sorri.

― Pode me chamar de Alex, e não foi nenhum transtorno, há tempos penso em largar esse serviço, sou apenas um auxiliar aqui, mas quando me formar pretendo ajudar as pessoas de verdade, não as afundando em um mundo falso.

 

O velho que todo o momento ficou calado resolve falar.

 

― Todos sempre procuram algum subterfúgio para escapar da realidade... Na minha época não havia uma empresa capaz de criar uma Matrix pessoal para cada pessoa que pudesse pagar por isso... mas já havia todos os tipos de fuga da realidade, desde drogas até religiões e filosofias vazias. O ser humano em seu egoísmo procura apenas o seu prazer, mas depois de todos esses anos, aprendi que só podemos aproveitar de fato a vida enfrentando a realidade.

Todos assentem e o médico os acompanha até a saída.

 

Dez horas depois. Subsolo da empresa Eternal Dream.

 

― Nossa, como é frio aqui embaixo. ― Diz o médico assistente ao seu parceiro.

― Sim, aqui nessa área como parte do pacote Gold, congelamos as pessoas para que seus corpos fiquem conservados... Alguns aqui nos pediram para acordá-los daqui uns anos.

― Entendo. ― O assistente encara todo aquele cemitério de tubos de criogenia, o lugar parecia ter cerca de 10mil metros quadrados. ― Esse lugar é bem grande, como vamos encontrar o nosso querido Harold?

― Vamos ao computador central perto da parede, lá tem todas as informações dos pacientes, mas lembre-se, viemos aqui apenas verificar as anomalias que vimos no computador central, não podemos sabotar a mente de ninguém.

― Não é meu plano fazer isso, apesar de querer. ― Ri.

 

Os dois se aproximam, o computador era apenas uma película na parede onde diversas informações binárias eram exibidas, além e ter um teclado fixado logo abaixo. O médico insere alguns códigos correspondentes às informações de Harold,  logo toda sua ficha é exibida, mas a imagem do córtex cerebral apavora o doutor.

 

― Alex! Olha isso.

 

Alex olha e também se assusta.

 

― É o mesmo padrão do Harold. ― Se aproxima. ― Mas cem vezes maior.

― Não é o mesmo padrão de hoje mais cedo... ― O médico insere códigos e acessas os padrões mentais do paciente. ― Veja!

― Pelo visto agora não são apenas sombras...

― Mas olhe como isso é impressionante ― O médico muda de tela e acessa outro paciente.

― Caramba! O mesmo fenômeno de Harold foi para a senhora Gonzalez.

 

O médico continua passando a tela.

 

― Não apenas para ela, como pode ver todos os pacientes estão infectados pelas memórias alheias, e digo, as piores memórias... Parece que criamos uma espécie de inferno aqui. ― Sorri.

― Mas como isso é possível?

― Há tempos alertei os engenheiros de software sobre essa possibilidade, nossas informações cerebrais podem parecer apenas impulsos elétricos e reações químicas, coisas observáveis e manipuláveis, os engenheiros criam padrões, regras, mas a única regra que existe em biologia é que sempre há exceções, e pelo visto o senhor Harold é a nossa exceção, um vírus egoísta que provocou uma profunda crise empática em todos os nossos pacientes...

― E o que vamos fazer?

― Provavelmente nada. Nossa empresa está apenas preocupada em fazer boa publicidade e ganhar novos clientes. Quanto a essas pessoas, como você mesmo contou a história de Harold, ele não se importava com os outros, e agora os outros não se importarão com ele. Esse é o preço do egoísmo.

Please reload

Colunas