Por que tão sério?

April 29, 2016

 

 

Recentemente tivemos a estreia de um dos filmes mais aguardados pelo universo nerd/geek. Sim você sabe do que eu estou falando. Super Homem vs Batman levaram milhares de pessoas ao cinema, ansiosas por ver o embate de dois dos super heróis mais conhecidos em todo mundo. Estranhamente a mídia especializada teceu uma série de críticas negativas, que chegaram a chatear até mesmo o Batman (admita você assistiu aquele videozinho do Ben Affleck).

 

Eu particularmente gostei bastante do filme, mas em conversa com amigos (que também gostaram do filme), o que mais ouvia é que, faltou um pouco de humor. Na contramão dos filmes produzidos pelo estúdio Marvel e do recente, e totalmente escrachado, Deadpool, a Warner preferiu produzir um filme mais denso, psicológico e tenso, com pitadas muito leves de humor. Não há um núcleo cômico neste filme.

 

É essa a questão que trago neste artigo. Qual a importância de umas boas risadas numa historia? Escrever tem muito a ver com despertar emoções e criar empatia com seu público alvo. Você terá a certeza que seu livro foi marcante, quando conseguir fazer seu leitor chorar, ainda que seja aquela lágrima solitária que alguns homens se recusam a deixar cair ou uma marejar discreto nos olhos.

 

Você pode ter essa mesma certeza quando fizer seu leitor rir, sejam muitas ou poucas risadas. O personagem cômico ilumina a cena. Seja por seus trejeitos, suas falas marcantes, sua total falta de noção, ele está lá para aliviar a tensão e nos oferecer o melhor remédio.

 

Para quem acha que livros são chatos, saiba que temos ótimos exemplares capazes de provocar uma explosão de gargalhadas e fazer você passar vergonha numa aula chata (sim aconteceu comigo). Apenas para citar os mais conhecidos, tente ler qualquer obra de Douglas Adams ou Terry Pratchett.

 

Mas é claro que histórias engraçadas precisam de personagens, acontecimentos e diálogos engraçados. E as historias que não tem seu cerne no humor? Precisam realmente de um alivio cômico?

 

Preste bastante atenção em todos os filmes, livros e series que você assiste. Em alguns deles fica fácil encontrar nosso pícaro. Em outros, o humor aparece em todos os personagens, nem que seja uma pitada. Breaking Bad é um seriado que pauta por um forte tom dramático. No entanto nós temos um núcleo cômico (Saul) e, diversas situações, onde os personagens principais nos fazem rir, mesmo que se trate de um traficante com câncer.

 

Muitos não sabem, mas o personagem de Aaron Paul deveria ter morrido na primeira temporada, porém a química com Bryan Cranston, e o óbvio desempenho sensacional do ator, permitiu que ele permanecesse na série. E adivinhem o que as discussões e interações entre esses personagens nos rendiam? Boas risadas.

 

Mesmo num cenário de terror o alivio cômico se faz necessário. Tem que ser algo bem dosado. Alivie demais e ninguém vai sentir medo. Você não precisa de um palhaço para fazer os outros rirem. Stephen King faz isso de forma brilhante. Enquanto cria a tensão e o pano de fundo, ele te faz rir com alguns personagens hilários ou diálogos bem construídos. Uma vez que a tensão está estabelecida, ele te faz suar.

 

É e claro, como todos sabem, trata-se de uma lei universal nos filmes de terror que personagens engraçados morram. É a forma de o autor dizer que as brincadeiras acabaram, que o monstro superou o riso e que você leitor não tem mais permissão para rir do que acontecerá dali para frente. Sim, personagens cômicos em livros de terror são muito uteis. Fazem o leitor rir e ainda servem de vítima.

 

Não importa se, ao produzir uma obra, sua intenção é pressionar o público de tal forma que até curvem os ombros, sentindo o peso psicológico da sua trama. Uma história densa não precisa dispensar o humor e vice-versa. Trate-se apenas de mais um artificio, dentre tantos que podem ser utilizados ao construir uma historia, mas que eu acredito que seja indispensável, pois colabora com o ritmo da narrativa. É sempre bom lembrar um fato importante. Se seu público está rindo ele está se divertindo, e é o primeiro passo que devemos procurar ao escrever uma historia. Entreter.

 

Uma narrativa carregada de humor é mais fluida e menos cansativa. Os livros do Rick Riordan são prova viva disso. No entanto, você pode substituir humor por sarcasmo, e ainda preservar um tom sério. Thrillers policiais utilizam muito esse recurso.

 

Resumindo, correndo o risco de fazer um trocadilho infame, um livro sem humor pode tornar-se um tanto sem graça. Não se trata de uma regra geral, como sempre. Você vai encontrar ótimas obras sem qualquer traço cômico, mas com grande possibilidade de terem agradado apenas um grupo seleto.

 

Porque todos sabem neste mundo sombrio em que vivemos, a importância de uma boa risada. A vida sempre vai bater com muita força e sua atitude frente a essas pancadas é que vai definir como seus problemas realmente o atingiram.

 

Você pode cair, você pode revidar ou você pode sorrir.

 

E seguir em frente.

 

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