Ah! Os Clássicos...

July 6, 2016

 

 

 

Eu comecei a ler e tomei gosto pela leitura por meio de livros nacionais, em especial livros da coleção vagalume. Meu passo seguinte, não foi comprar os livros best sellers ou ir atrás de autores contemporâneos famosos. Eu só fui ter contato com Harry Potter, Bernard Cornwell ou meu atual escritor favorito Stephen King muito tempo depois, no meu segundo ano da faculdade.

 

Antes de ler os autores atuais eu li uma quantidade generosa de autores clássicos. Existem muitas editoras, principalmente no formato de bolso, que publicam livros clássicos.

Eu aconselho a todos vocês, sejam leitores, sejam escritores, que deem uma boa olhada nos clássicos. Não se fiem naquela impressão antiquada de que, os livros de antigamente são chatos. Sim, eles são um pouco mais densos e mais descritivos, mas isso é tanto um defeito quanto uma qualidade.

 

Em tempos de Harlan Coben, é necessário entender a raiz desses livros. Edgar Alan Poe nos deu os primórdios do detetive intuitivo, refinado com maestria por Sir Arthur Conan Doyle. A inteligência das historias de Sherlock Holmes ultrapassa a velocidade dos thrillers que temos hoje. Se você gosta de livros de investigação, pode ir buscar ótimos exemplares nesses autores. Não irá se arrepender. Poe também pode lhe fornecer contos de terror de ótima qualidade.  O Corvo é um poema genial. (existem diversas traduções, a melhor feita por Homer Simpson no primeiro episodio do dia das bruxas, segunda temporada).

 

Acredite em mim quando digo que você não leu um livro denso se ainda não leu as obras de Fiódor Dostoiévski. Confesso que achei Irmãos Karamazov um pouco chato, tanto que o li em duas etapas, mas é um livro fantástico de toda forma. Crime e Castigo é uma obra prima sobre culpa e crime. Altamente recomendável para aqueles que apreciam o lado mais psicológico de um assassinato. Existem obras menores desse autor, como o Jogador.

 

Passei por muitas obras enquanto investigava os clássicos, que só conhecia por fama. Fiquei impressionado com Frankenstein de Mary Shelley. Muito mais do que as diversas obras cinematográficas que representam esse monstro, temos no livro uma história humana, um genuíno relacionamento entre pai e filho, criador e criatura. Esqueça os pregos enormes no pescoço, as bobinas de tesla e a testa proeminente. Leia o livro e descubra o verdadeiro Frankenstein.

 

Perca um tempo também para conhecer realmente os outros monstros da literatura. O Médico e O Monstro é uma obra poderosa de Robert Louis Stevenson sobre o bem e o mal que reside dentro de cada um de nós. O Drácula de Bram Stoker é Vlad Tepes em sua melhor forma, muito antes dos vampiros começarem a brilhar no sol.

 

Mas nem só de livros densos e psicológicos vivia a literatura clássica. Temos obras infanto-juvenis de qualidade altíssima, que faria qualquer moleque se apaixonar pelo mundo das palavras. Os livros de Julio Verne são ótimos exemplos. Viagem ao centro da terra, 20.000 Léguas Submarinas, Volta ao Mundo em oitenta dias, para citar apenas os mais famosos.

 

A verdade é que muitos clássicos são poderosos demais. Foram escritos em épocas diferentes, onde não havia globalização, internet ou whatsapp para incomodar ou auxiliar esses escritores. A grande maioria foram filhos da necessidade, escreviam a realidade que viviam e escreviam para poder comer, embora, segundo alguns só desse para o pão e não para manteiga. Viviam em épocas diferentes. Escreviam livros diferentes.

 

Nossos clássicos nacionais também possuem grande valor, mas talvez carreguem o estigma de serem chatos muito mais do que os clássicos estrangeiros. Eu sempre gostei de Machado de Assis e José de Alencar. Li várias de suas obras. Acompanhei um ou outro livro de outros autores mais conhecidos e não me arrependi de dedicar meu tempo a eles. Cheguei a mestrar uma aventura de RPG de terror baseada num desses livros clássicos.

 

 O roteiro era simples. Numa cidadezinha pessoas começam a desaparecer misteriosamente. Meus jogadores descobriram, pasmados, que o dono do manicômio local estava internando pessoas sãs e fazendo experimentos bizarros com elas. O nome do manicômio era Green House. Conseguem adivinhar o autor e o nome do livro em que essa historia foi baseada?

 

Por fim, não posso deixar de falar de Vitor Hugo. Não me envergonho de dizer que chorei lendo Os Miseráveis. É uma obra muito forte, que destrincha a alma humana, mostrando todas as suas minucias. É uma fonte que muitos autores bebem até hoje, inclusive a TV Globo. Trabalhadores do Mar foi um livro que me deixou completamente sem palavras em seus capítulos finais. Uma demonstração sublime de perseverança e honestidade. E é claro, o Corcunda de Notre-Dame é muito mais que um desenho da Disney.

 

Descubram os clássicos por si próprios. Não os recebam adaptados para os dias de hoje porque eles não foram escritos nos dias de hoje. Descubram autores novos, porém antigos, que não estão mais entre nós, mas nos deixaram mensagens importantes.

Suas melhores e mais íntimas ideias.

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